Belém recebe, entre os dias 22 e 24 de janeiro, o 4º Encontro dos Abridores de Letras do Pará, iniciativa que aposta no empreendedorismo como caminho para fortalecer a geração de renda e a autonomia econômica de artistas ribeirinhos da Amazônia.
A programação reúne 26 mestres de diferentes municípios do estado em uma imersão formativa que consolida uma nova etapa no processo de valorização desse ofício centenário, que une tradição cultural e sustentabilidade econômica.
O encontro aprofunda a formação empreendedora dos abridores de letras, tratando o saber tradicional também como trabalho, negócio e carreira. A proposta é ampliar a capacidade dos mestres de precificar corretamente suas obras, acessar novos mercados, comunicar o próprio trabalho, organizar vendas e estruturar trajetórias profissionais sustentáveis, sem romper com a identidade cultural que marca a pintura de letras nos barcos amazônicos.
Nesta edição, a capacitação é conduzida pela Design Possível, organização paulista de referência nacional em negócios de impacto social. Ao longo de três dias, os participantes recebem consultorias em áreas como gestão, formalização, controle de estoque, ampliação de mercados e aplicação da letra decorativa em segmentos como design, moda e decoração.
“A proposta é fortalecer a rede de abridores a partir de ferramentas do design, criando novas possibilidades de geração de renda sem perder a essência de cada mestre”, afirma Julia Asche, consultora da organização.
O 4º Encontro dos Abridores de Letras é realizado pelo Instituto Letras que Flutuam, com patrocínio da Riachuelo e incentivo da Lei Semear, do Governo do Estado do Pará. A iniciativa reforça o papel da cultura como eixo de desenvolvimento sustentável, economia criativa e valorização dos saberes tradicionais da Amazônia.
Formação e continuidade do projeto
O encontro integra uma formação construída em etapas desde 2024. O primeiro momento foi dedicado ao reconhecimento coletivo do ofício e ao fortalecimento dos vínculos entre os mestres; o segundo aprofundou debates sobre direitos autorais, redes sociais e inserção no mercado; e o terceiro preparou os abridores para atuar como educadores, permitindo a circulação nacional desse saber por meio de oficinas. “Nosso trabalho vai além de preservar a estética das letras. É sobre viabilizar a vida de quem produz essa arte, garantindo renda justa e autonomia econômica”, destaca Fernanda Martins, presidenta do Instituto Letras que Flutuam.
O ofício dos abridores de letras surgiu oficialmente em 1925, quando a Capitania dos Portos tornou obrigatória a identificação das embarcações. Ao longo de quase cem anos, a prática se transformou em uma linguagem gráfica singular, marcada por cores, ornamentos e estilos próprios da Amazônia, com cada mestre desenvolvendo um “sotaque” visual que expressa os rios, territórios e experiências ribeirinhas.
Serviço
O 4º Encontro dos Abridores de Letras do Pará ocorre nos dias 22, 23 e 24 de janeiro de 2026, das 9h às 18h, no Hotel Amazônico Beira Rio, localizado na Avenida Bernardo Sayão, no bairro do Guamá, em Belém.
A programação inclui oficinas e capacitações em gestão, precificação, economia criativa, ampliação de mercados e sustentabilidade da carreira dos mestres abridores de letras da Amazônia.











